sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Crítica: Azul é a cor mais quente


Ficha técnica:

Título: La Vie d'Adèle (Original)
Ano de Produção: 2013
Dirigido por: Abdellatif Kechiche
Elenco: Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos, Salim Kechiouche
Gênero: Drama, Romance
Nota: 9,7

Sinopse: Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux), sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente.

Baseado na graphic novel  "Le Bleu est une couleur chaude" (ou Azul é uma cor quente), de Julie Maroh, o filme nos mostra a história da personagem Adèle que no começo nos parece ser uma menina de 17 anos que não tem sua sexualidade completamente definida e assim nos leva por sua vida ao longo dos anos.

A trama começa a tomar forma quando Adèle vê passar na rua a instigante menina de cabelos azuis, Emma. Elas começam a se encontrar e a partir daí não se desgrudam mais. Mesmo enfrentando os obstáculos e preconceitos de uma sociedade que ainda não é rica no quesito tolerância, elas descobrem que apenas vencer essas barreiras vindas de fora no relacionamento nem sempre é o bastante.
Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2013 (Entregue por ninguém menos que o presidente do júri - Steven Spielberg), o filme é considerado uma das melhores obras cinematográficas do ano.

Kechiche abusa dos closes no rosto das protagonistas, fazendo com que nos intimida e nos traga mais foco na história, como se nos colocasse cara a cara sem ter onde nos escondermos. Seja a cena durante um jantar, onde a menina come uma macarronada e se lambuza toda como nós mesmos faríamos na frente dos pais num domingo, ou nas tão faladas e polêmicas cenas de sexo semi explícitas. Com isso as atrizes ganham as oportunidades de suas carreiras.

Necessito reservar esse parágrafo para dedicar a espetacular atuação da protagonista e xará da personagem, Adèle. Com apenas 20 anos, ela está pronta pra ser uma estrela. Sua entrega é gigantesca. E sim ! Devemos falar das cenas calorosas, elas servem pra nos dar o gosto daquela paixão inesquecível mas que também ao mesmo tempo chega a passar dos limites e chegando ao estágio de soft porn. Acho inclusive que ela talvez tenha mostrado partes de seu corpo que nenhuma outra atriz tenha mostrado em uma produção mainstream (sem ser pornográfico). Adèle exibe a marca de uma grande atriz quando consegue nos convencer como uma menina de 17 anos, e até uma jovem com seus vinte e poucos.

O drama é trabalhado todo na cor azul (em todo mesmo). O diretor trás em todas as cenas a cor azul em destaque, seja em uma peça de roupa, em um banco numa praça, em uma luz no ambiente, enfim, todas a cenas é evidente a cor sobreposta. Pode ser jogada de marketing, afinal o título já começa assim né ?!

Temos vários momentos em que as duas exalam a atração carnal e derretem as telas. Em quase 3 horas de duração, na qual não é sentido e sim necessário para explorar cada detalhe de uma relação única e verídica. O tempo passa sem ser anunciado e nosso relógio é a bela atuação da atriz. Esse é o francês lésbico e dramático, sem ser cômico.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Crítica: Tudo por um Sonho


Ficha técnica:

Título: Chasing Mavericks (Original)
Ano de Produção: 2012
Dirigido por: Curtis Hanson e Michael Apted
Elenco: Jonny WestonGerard Butler, Andy Arness
Gênero: Drama
Nota: 9,0


Sinopse: Com apenas 15 anos de idade, o surfista Jay Moriarity (Jonny Weston) prepara-se para enfrentar as gigantescas ondas do norte da Califórnia, conhecidas como Mavericks. Em sua jornada, ele conhece a lenda local Frosty Hesson (Gerard Butler) e os dois formam uma amizade única muito além do surfe.

Ao contrário de muitas modalidades de esporte, o surf não deve ser encarado como um meio de competição, mas como um estilo de vida, um meio de lidar com a natureza e se libertar. Podemos ver isso claramente neste longa da qual os diretores conseguem capturar o verdadeiro espírito e transmitir para os seus telespectadores.

Diferente dos filmes sobre surf que já foram moda durante uma época, aqui encontramos aquela vontade de saber sobre a vida do personagem e sentimos pena de seus desafios e dramas. Boa parte desse drama vem de sua mãe (Elisabeth Shue) que deu um show de interpretação. Jay Moriarity é o típico aluno apressado que no decorrer do filme se mostra ser mais do que isso, além de entregar uma atuação muito simples e honesta. Não podemos deixar de citar o personagem Frosty que foi interpretado pelo Gerard Butler que nos surpreendeu ao sair do seu meio "comédia romântica".

Ao tratar a trama com suavidade, não apelando para o melodrama exagerado, o filme dá outro acerto. A tristeza está ali mas comportada. O roteiro se desenvolve simples e sincero, acerta em cheio em nos apresentar está história real.
As cenas que envolve Frosty também são importantes. É óbvio os seus problemas em casa, e com isso leva um estilo de vida em que se prioriza o mar, faltando assim com suas responsabilidades em casa. Quando ele decide treinar Jay para as maiores ondas do planeta, ambos os lados acabam tendo várias lições de vida valiosas. Estas lições vem de maneira tristes e trágicas ou em um simples diálogo que ensina algo sobre a vida.

Infelizmente por ser baseado em fatos reais, o final do filme acaba sendo triste (afinal aconteceu) mas deixando aquela linda mensagem. Além de qualquer demonstração de competitividade, ele nos mostra que viver em sintonia e respeitando o mar é vital. E sem poder deixar de comentar, o filme nos traz uma fotografia linda e imagens eletrizantes de gigantes. É realmente de nos encher os olhos.



quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Crítica: Annabelle


Ficha técnica:

Título: Annabelle (Original)
Ano de Produção: 2014
Dirigido por: John R. Leonetti
Elenco: Annabelle Wallis, Ward Horton, Alfre Woodard, Tony Amendola, Eric Ladin
Gênero: Terror
Nota: 8,0


Sinopse: Um casal se prepara para a chegada de sua primeira filha e compra para ela uma boneca. Quando sua casa é invadida por membros de uma seita, o casal é violentamente atacado e a boneca, Anabelle, se torna recipiente de uma entidade do mal.

Confesso que estava super ansioso por este filme que veio no embalo do enorme sucesso de "Invocação do Mal", já podia imaginar uma puta história daquelas de não te deixar dormir á noite e muito menos olhar para uma boneca de porcelana. Ainda mais misturando com entidades satânicas... ai que a coisa seria pior, e vou confessar que realmente o filme assusta bastante.

Annabelle acaba mexendo com nosso psicológico por ter aquele aspecto sinistro com uma risadinha macabra que acaba se misturando com o ambiente de rituais demoníacos, com isso os produtores conseguem criar um ar de suspense e medo nos seus telespectadores, ( nos lembra muito filmes como "O bebê de Rosemary" e "Sobrenatural"). O filme contém cenas muito bem dirigidas que faz com que você fique tenso e não desgrude o olho da tela, destaque para o ataque dos satanistas e a cena do elevador (que na minha opinião é a melhor do filme), e se você, assim como eu, for um apaixonado por esse gênero, vai se deliciar com esses momentos.

Apesar de conseguir divertir a assustar o público o filme deixa muito a desejar, começando com a atuação do casal principal. Mia (Annabelle Wallis) é a típica mãe de filmes de terror que sempre vai investigar os barulhos que surgem durante a trama, sei que isso é clichê em filmes mas quando acaba se repetindo 5 ou 6 vezes acaba que ficando cansativo e o John (Ward Horton) só sabe trabalhar e nem se quer tem importância no filme, a não ser por ter dado a boneca de presente. Ambos atores são fracos. Outro ponto negativo é que acaba acontecendo muitas situações no filme, o que deixa tudo desorganizado e a trama acaba se perdendo la pela metade, mas enfim, ele está ali para assustar não é ? Isso o filme consegue fazer com direito a gente sendo arrastada, chuvas, coisas se mexendo, vultos, trovões... 

Baseado em um filme de terror clássico que nos dias de hoje é para ser comemorado, Annabelle não é um filme perfeito e é bem inferior ao "Invocação do Mal"  mas isso não quer dizer que ele seja ruim. Recomendo que assistam, levaram alguns sustos e viajaram nessa onda de rituais satânicos que nos deixa atormentados por um tempinho.





terça-feira, 4 de novembro de 2014

Crítica: O Melhor de Mim


Ficha técnica:

Título: The Best of Me (Original)
Ano de Produção: 2014
Dirigido por: Michael Hoffman
Elenco: Gerald McRaney, James Marsden, Liana Liberato, Luke Bracey, Michelle Monaghan
Gênero: Romance
Nota: 8,5

SinopseAdolescentes, Amanda (Liana Liberato) e Dawson (Luke Bracey) se apaixonam. O pai da garota não aprova o relacionamento e, com o passar do tempo, os jovens acabam se afastando e tomando rumos diferentes. Duas décadas mais tarde um funeral faz com que os dois (Michelle Monaghan e James Marsden) voltem à cidade natal e se reencontrem. É o momento de ver se os sentimentos persistem e avaliar as decisões que tomaram na vida.

Se você estiver procurando um daqueles filmes sem mel e açúcar e com algo de especial, não recomendo esse. Já conhecemos o drama de Nicholas Sparks e esse é mais um que segue seu roteiro.

O filme em si é bom, tráz aquele gostinho de amargura ao final que agrada muita gente. Não sou fã de romances, porém gostei da história não ter seguido os padrões de finais felizes e surpreender sempre que achamos que já tinha acontecido tudo que podia haver. Embora ele seja trabalhado em bastantes "coincidências", o que deixa o filme mais meloso, ele consegue nos comover com o casal Dawson e Amanda interpretados na juventude por Luke Bracey e Liana Liberato.

O longa continua com seus padrões estilo melodramático com direito a beijos na chuva e cenas românticas com pássaros e jardins aos fundos. Fica visível o quanto ele tenta nos mostrar que o casal merece ficar juntos, cometendo o erro de cair no clichê da velha história da mocinha rica e do galã pobre. Alternando em passado e presente o filme se passa em dois tempos, (o que não significa muita coisa já que desde as roupas e o cabelo dos personagens remetem á adolescência), o enredo se desenrola com algumas surpresas, insere situações aleatórias dramáticas, músicas tristes de fundo na intenção de arrancar lágrimas dos telespectadores e que funciona se você for do tipo "chorão" para certos tipos de filmes.

Um filme recomendado para ver em casal, mais uma vez a trama agradará o público que procura um drama bonitinho com repetições sobre a palavra "amor" e aquele gostinho de um final meio que "impossível" porém emocionante e triste.